PEQUENOS ESTUDOS DE FILOSOFIA BRASILEIRA
DE ALVARO VIEIRA PINTO
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| Álvaro Vieira Pinto |
Em sua obra Consciência e realidade Nacional, a
motivação dominante de Alvaro Vieira Pinto (1960), foi o estudo do binômio consciência
ingênua - consciência crítica. Na
primeira colocação, o termo designa as tentativas que vão desvelando na
vivencia dos países subdesenvolvidos na consciência ingênua; já no segundo binômio
há uma pretensão de significar as tarefas que se propõe o pensador brasileiro,
de tentar inverter os modos processuais compreensíveis do ser em países
periféricos.
Vejamos abaixo um esquema dessa articulação entre o binômio ingênuo
x critico:
Este apelo ao radicalismo do enunciado, teve como forma de buscar um quadro de categorias de pensamentos cartesianos e husserliano, para modificar a forma absoluta nas perspectivas existenciais da população do “terceiro mundo”. Vieira Pinto, manteve
sinais de semelhanças e atitudes com Descartes e Husserl, para realizar
análises críticas como a denominada consciência ingênua, que vai chegando aos
requintes da impiedade em relação as vigências intelectuais nacionais, cujos
atores são fáceis de identificar. As
atitudes radicais combinam na ideia de aceitarmos a inteira responsabilidade
pelo modo interpretativo da nossa realidade, que continuamos a orbitar no
conjunto entre países avançados do mundo.
Somos vítimas na medida em que estes sempre nos exploram enquanto
colonizadores desta nação.
Vieira Pino não cita qualquer filósofo! Tanto que ignorou, solenemente em seu discurso a tradição ocidental filosófica, isto para tentar construir seu discurso original o máximo possível. Seu leque de meditações deu abertura a vários campos para manipular os pensamentos das consciências. No discurso teleológico, se configurou na ideia de desenvolvimento. Combateram constantemente, as “dissertações acadêmicas”, algo por ele tratado por certo desprezo. Esse fato talvez fosse explicado pelas circunstancias de Vieira Pinto, ter suas dedicações nas instancias mais fecundas de sua vida nas dissertações acadêmicas junto as exigibilidades da cátedra universitária.
Vieira Pino não cita qualquer filósofo! Tanto que ignorou, solenemente em seu discurso a tradição ocidental filosófica, isto para tentar construir seu discurso original o máximo possível. Seu leque de meditações deu abertura a vários campos para manipular os pensamentos das consciências. No discurso teleológico, se configurou na ideia de desenvolvimento. Combateram constantemente, as “dissertações acadêmicas”, algo por ele tratado por certo desprezo. Esse fato talvez fosse explicado pelas circunstancias de Vieira Pinto, ter suas dedicações nas instancias mais fecundas de sua vida nas dissertações acadêmicas junto as exigibilidades da cátedra universitária.
Ao abandonar as ilusões da cátedra o autor procurou se
dedicar totalmente em pensar no desenvolvimento nacional em seu momento
histórico que suscitava ao debate. Para
o autor na fase de convívio de um professor Catedrático da Faculdade Nacional
de Filosofia, ao momento de um não menos convicto pensador, não de uma
realidade brasileira que ele pouco conhecia, mas de realidade nacionalista, como
categoria para ser tema radical de seus debates. Aliás, fazer filosofia num
país subdesenvolvido seria tomar a realidade natural como proto-história dentro
das estruturas categóricas que dela vão emergir, e isto, abandonando todos os
modelos de pensamentos que não sejam referidos a esta realidade crua. A necessidade de colocar “entre parênteses” os
artifícios filosófico-científicos, pois engendrados até hoje os temos em
centros dominantes e o modelo original seria conceber a nossa realidade a
partir do que é em si mesma. Algo que
deve passar pelo crivo depurativo com intermediação constante de atitudes
sensórias.
- Vejamos o que o que
diz nosso pensador, sobre o país subdesenvolvido:
A filosofia da existência seria a mais perigosa de todas,
se não for previamente submetida aos radicais de depurações, que as limpe
de todos os traços alienados, indicando condicionamentos pela periferia
regional. Nas proposições referidas
entre as peculiaridades momentâneas na história do país, o que é pertencente
ao filósofo é essa situação encontrada na estrutura de sociedade (Pinto, 1960,
p. 66).
A RESPONSABILIDADE DO
FILÓSOFO NO PAÍS SUBDESENVOLVIDO
A proposta de censura estatal não fica explícita, mas
denota uma responsabilidade do filósofo do país subdesenvolvido. Sua importância terá sempre em vista a pátria
com suas necessidades que se partem de um ponto radical reconstrutivo do pensar
em “terceiro mundo”. Nessas razões esboçadas, Vieira Pinto se sente muito a
vontade para desprezar a tradição filosófica.
Aqui ele não assume compromisso com o universo técnico dessa tradição
filosófica, mas parte da reconstrução de radicais da filosofia, que vai ter em
vista uma necessidade de reler o subdesenvolvimento e a miséria decorrente
dele.
Responda que país é este? Numa necessidade de reler seu subdesenvolvimento e miséria?
Responda que país é este? Numa necessidade de reler seu subdesenvolvimento e miséria?
Sociedade brasileira, para o autor, atingiu uma etapa de seu processo onde está produzindo uma alteração de sua consciência... (PINTO, 1960, p.11). Esse processo histórico é difícil perceber o que "alterou a consciência ", na leitura de realidade de tempo.
Ele pensou em realidade brasileira sem perceber o sentido planetário da ordem econômica social do pensar em sua contemporaneidade. Neste laboroso esforço de pensarmos em realidade nacional, o pensador é contestado pelo fato de criarmos em nós mesmos uma "interpretação própria". No sentido hegiliano, significaria recusa a um pensador concreto, mensurando que a negação de um universal, não irá envolver ao nosso pensador possibilidades de recuperações do espírito que irá se integrar a uma realidade. Essa ideia de totalidade, ainda que fragmentada na vista dos países subdesenvolvidos, implica-se a admissão de faltas, que temos necessidade de convivermos com esta, entre uma forma ou outra, pudesse ser subsumida a nova categoria de sua concretude. Assim, pensar em países periféricos iria significar uma busca constante para inserir na modernidade, ainda que com a perda de categorias complexas que são próprias, algo inimaginável.
Em que se resvala a ideia de consciência em Vieira Pinto?
TRATAMENTO DE CONSCIÊNCIA COMO
INSTRUMENTO CODIFICADOR E MENSURADOR
Para nosso pensador, ninguém está imune ao risco de ser
considerado ingênuo ou alienado, mesmo tendo uma inteligência aguçada e
operante, uma vez que tudo depende da adesão à plenitude da manifestação do ser
nacional; manifestação esta que se daria do despertar das massas para a
necessidade de superação do estado de subdesenvolvimento. Falar de
“consciências incultas” é o mesmo que referir-se a uma forma de alienação
abrangente que decorre da ausência de inserção na concretude da realidade
nacional. Esse tratamento da consciência como instrumento
codificador ou mensurador dos modos de ser ou dos estágios de postura dos
indivíduos frente à realidade nacional não nos permite uma visão técnica da
questão.
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| Consciência ingênua fora da realidade nacional |
Álvaro Vieira Pinto foi um dos relevantes colaboradores
da Revista Cultura Políticos, órgão mantido pelo Estado Novo, como instrumento
de cooptação dos intelectuais para a sustentação teórica e ornamental da
ditadura de Getúlio. E nos primeiros artigos Vieira Pinto é apresentado pela
Revista como Professor na Faculdade Nacional de filosofia da Universidade do
Brasil, ex-professor de filosofia das Ciências na Universidade do Distrito
Federal, médico e cientista, dedicado a estudos e pesquisas de laboratório, em
contato incessante com os grandes centros de investigação científica da Capital
da República e trabalhando na Fundação Gaffré Guinle do Rio de Janeiro.
Para ele é possível num amplo leque de significações tomarem
a ideia de consciência como uma espécie de itinerário que pode nos conduzir à
compreensão da realidade nacional. A consciência crítica estaria enquanto
domínio da totalidade, destinada a obviar todos os conflitos, ainda que
prescindisse das mediações no plano da existência concreta. A consciência
crítica quer alterar o mundo, e em grau tão extenso que só ela merece o nome de
revolucionária. O erudito, o humanista e o sábio não teriam lugar na ordem da
consciência crítica, desde que não voltassem seus olhos para a realidade
nacional.
Com isso, nosso pensador fala
de uma “intencionalidade da consciência coletiva” afirmando que: A consciência
não tem existência em si, independente, destacada da coisa que representa, mas
é sempre consciência de algo, tende sempre para aquilo que é a cada instante o
seu objeto e se conforma exclusivamente no momento de representá-lo. E a
consciência se define pela subjetividade e é, portanto o que determina o
sujeito enquanto tal. A fenomenologia é criticada pelo seu “caráter idealista”,
responsável pela não admissão da intencionalidade coletiva. Haveria para Vieira
Pinto um sujeito coletivo difuso como categoria própria da estratégia de
elaboração da ideologia nacional. Observe, logo abaixo:
O pensador quer
encontrar um ponto inquebrantável para o início de uma meditação radical em
torno da condição do homem colonizado. Mas não conseguiu avançar, em virtude de
ter escolhido o mundo da vida como garantia de um novo saber, em detrimento da
subjetividade como lugar da vivenciação originária de toda realidade. E
escolhido o caminho da filosofia para pensar o desenvolvimento nacional, acabou
por não elucidar nenhuma questão relevante, embora tenha realizado um esforço
que se impõe à admiração dos seus contemporâneos.
Nosso filósofo
perseguiu a verdade que é fomentada pela intenção de estabelecer um quadro de
referência para o desenvolvimento nacional, como verdade absoluta, a partir de
um radicalismo reducionista. A verdade em Vieira Pinto está na meta optada, que
é o desenvolvimento nacional.
* Universitários responsáveis:
- Maria C. Monteiro;
- Robson Scardua Silveira;
- Gilberto Galdino dos Santos;
- Gilmar Leite.
* Polo: Afonso Cláudio - ES
* Disciplina: História da Filosofia no Brasil
* Professor: Jorge Augusto da Silva Santos
* Tutor à distancia: Ricardo Miranda Castro David
* Tutora presencial: Wanja Verônica Dias Fernandes
Nota ¹ Verdade e consciência em Álvaro Vieira
Pinto. Publicado originalmente na Revista Filosófica Brasileira. Rio de
Janeiro, UFRJ, 1986, vol. III, nº 1, p. 106 a 112. Referência bibliográfica
PINTO, Vieira. (1960). Consciência e realidade nacional. Rio de Janeiro, ISEB,
2 volumes.
Referência bibliográfica:
PINTO, Vieira. (1960). Consciência e realidade nacional. Rio de Janeiro, ISEB, 2 volumes, p. 79 a 85.
































































