segunda-feira, 15 de junho de 2015

Salisbury João




1 – INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO DE JOÃO DE SALISBURY
Ilustrado por:
Maria C. Monteiro
O pensamento filosófico na  política do Bispo e diplomata João de Salisbury  (1115 - 1180), considerado uns dos filósofos principais que se destacou no renascimento do século XII,  será abordado nesta apresentação das suas ideias humanistas.   Existem cerca de cem manuscritos dos seus textos espalhados  e copiados nas bibliotecas da Europa. [1] Entre essas obras temos Polycraticus se destaca nas bagatelas dos curiais da corte em seus vestígios filosóficos.
Seu nome se refere ao local de nascimento na Inglaterra.  O autor, João Salisbury,  foi o primeiro medieval a considerar a postura entre o rei instruído e rei intelectual, porém tomando como valor o modelo real [2].  Houve – se em sua política filosófica a discussão do tema tiranicídio se é justo eliminar o tirano.


1     . 2  . ELEMENTOS BÁSICOS DE SUA FILOSOFIA POLÍTICA



Chartres Medieval 
Nos momentos finais da vida de Salisbury,  chegou a ser Bispo de Chartres (1176 – 1180) [3].  No decorrer de 12 anos , estudou  em Paris,  na cidade de Chartres.  Prestou serviços ao clero diante da cúria papal.  Viveu na França (1136 – 1148), tendo como professores: Gilbert de Poitiers, Guilherme de Conches e Pedro Abelardo.  Passou a se tornar secretário de Thomas Becket (1117 – 1170).  Se dedicou as obras Metalogicon e Polycraticus.  Salisbury voltou – se à França, depois de ocorrido o assassinato de Becket por ordens de Henrique II, no ano de 1170; João Salisbury exerceu o ofício de bispo de Chartres entre 1176 e 1180.  [4]

O rei Henrique II, ao cometer o assassinato de Becket, melhor amigo de  Salisbury,  o inspirou a escrever sua obra Polycraticus, mostrando o contra modelo de como deveria não ser a monarquia tirânica.  Embora, clérigo, Salisbury, era um ideólogo especialista ético cristão, cuja preocupação era o poder e o governo.
Em sua obra Metalogicon,  um dos seus elementos básicos que nos ensina a preservação do conhecimento. Seu modelo de aprendizado é proveniente de obras pagãs[5]. Porém, Salisbury acrescentou algo a mais de si próprio, em sua visão holística. Também, temos Policraticus amostra literária de seu estilo de ordem instrutiva da política medieval. A obra História Pontificalis, uma crônica escrita ao papado durante os anos cruzados.
Nas considerações dos pensamentos ocidentais modernos, segundo Thomas Hobbes (1588 – 1679), Sigmund Freud (1856 – 1939), Karl Marx (1818 – 1883) o homem é perturbado, mal, ganancioso e controverso.  E, no cristianismo dentro das concepções da Idade Média o homem  é bom podendo torna – se melhor dentro da ética Cristã.

EUROPA no século XII



1 . 3 .   A TRADIÇÃO CLÁSSICA NO POLICRATICUS

 Policraticus em muitas passagens nas escritas de João de Salisbury faz alusões aos mitos gregos, criando – se associações analógicas com a filosofia humanista cristã.   O desabrochar do humanismo chartrense, entre as  escritas elegantes da obra  Policraticus ,   sua cultura nos fornece formações integras, intelectuais e morais.  Pois, entre  os medievais para  ser eloquente devemos nos  moldar  dentro das virtudes morais.
Com a finalidade de tentar prover uma sociedade unida por acordo comum,  em respeito às Leis e aos direitos, a obra intelectual apresenta o espelho de como deveria ser o príncipe.
Na metáfora da dinâmica do corpo a comunidade política,  o príncipe ocupa o lugar da cabeça e se encontra somente sujeito a Deus. O governante na sua função,  em nome do papel divino, sua cabeça é regida pela alma.  O senado ocupa um lugar do coração onde se procedem aos começos de atitudes boas e ruins.  Os juízes e governadores nos seus territórios representam para si a missão dos olhos, ouvidos e línguas. Os oficiais e soldados correspondem às mãos.  Ao assistirem as atitudes dos príncipes de modo estável passam a ser semelhantes aos flancos.  Os questores e escrivães, não exatamente aos que controlam os cárceres, mas, os encarregados aos tesouros privados dos príncipes podem ser comparados com o ventre e os intestinos. Se estes são estiverem congestionados e retiver um excessivo empenho,  daquilo que acumularem, provocarão diversas doenças que destruirão todo sistema.  Na época medieval, os agricultores e os camponeses representavam, segundo os historiadores,  90 % da sociedade.
Com isso, queremos chamar atenção,  para a didática  que João de Salisbury, dinamiza como a metáfora do corpo,  com relação a parte dos  pés onde se encontram os agricultores. Para ele os agricultores, é parte  onde são especialmente necessária as atenções da cabeça do governante, pois, sozinhos não terão forças para se sustentarem e mover o corpo.  Sem o agricultor o corpo irá se arrastar com grande fadiga. A preocupação da cabeça do poder, é como rei,  tem que reinar em função do  povo e,  deve ser maior com os pés.  Nesta concepção política medieval cristã o monarca em suas governanças  ter um cuidado maior com o povo para que se torne moralmente bom.

1     . 4 . O QUE FAZER COM O TIRANO?
Na obra Policraticus (O político), João Salisbury abarca o tema da ética dentro da vivência política medieval. Na Idade média e no mundo atual existe muito pouco espaço para que uma população tolere a poderes tirânicos.  Nos países,  impostos comparativos e desumanos em suas cargas tributárias, guerras declaradas sem consentimentos populacionais, tiranias que podem definhar o poder de soberania e  o mau  caráter de um governante,  não deve levar um povo a sofrimentos por faltas dos seus dirigentes.
No ocidente as duas formas éticas (judaicas e gregas), transportam o problema do tiranicídio.  Nas Escrituras Sagradas temos o exemplo de Moisés que ao matar um egípcio começou a fluir a libertação do povo hebreu.  O usurpador  rei de Moab, Eglon, dominava os israelitas (Juízes, 3, 14 – 13).  Joram o tirano, rei de Israel, foi morto por uma flechada de Jehu.  Judite matou Holofernes, um general do rei Nabucodonosor (rei dos Assírios), para salvar o povo (Judite, 12). Para Cícero,  ao discutir a tirania,  afirmou que o tirano desencadeia ódios e seu fim é a morte de maneira violenta. 
Com isso, João de Salisbury relata  que é permitido "assassinar  um tirano". Se o tirano abalar, as bases e afrouxar o corpo social será lícito elimina – lo.  Os cidadãos não podem ser privados, coletivamente dos seus direitos soberanos e muito menos viver na resistência opressora deste tirano. Na Idade média e no mundo atual o espaço é pequeno  para que uma população tolere a poderes tirânicos.  E, esta filosofia política, que tem caráter moral, no contexto de Salisbury, pois, há de ofender um determinado povo ao se deparar com ações tirânicas.  Se este modelo de política monárquica tirânica corromper a estrutura, se tornará a pior corrupção de todas, que é a tirania, e isto, deve ser extirpado.



2 -   O PAPEL DAS LETRAS NA FORMAÇÃO DO FILÓSOFO EM JOÃO DE SALISBURY

2 . 1  TEXTO 1 – O FRUTO DAS LETRAS 

No prólogo, a ÁRVORE do saber,  ao produzir seus frutos do  conhecimento se  deixaram legados a nós  na história medieval, onde através das letras as memórias não ficaram esquecidas ou perdidas no meio social.
As artes, segundo João Salisbury, os juramentos, cerimoniais religiosos, oratória teriam se esvaído se não houvesse as letras. O Texto escrito aproximam os que amam ler e escrever. Nossa natureza humana,  costuma esquecer, enquanto,  os manuscritos preservam a memória. O filósofo dignifica o uso da letra como algo divino.[6]

O fato de que uma vida breve, por exemplo, os comportamentos ociosos,  indicam negligencias no viver.  Porém, a  ociosidade proíbe o homem de auto se  conhecer  e, mesmo o pouco que se sabe  ao ser adquirido, se perde no tempo –  a memória daquilo que  se desfruta no uso das letras  é mais saudável.  Saborear o uso das letras tem suas recompensas.
Nada mais agraciado pela fama,  do que a obra escrita,  e deixadas pelos escritores, onde podemos conhecer a importância de suas epopeias.
O caminho da dignidade, ensinado pelos profetas,  nos deixaram legados divinos, graças às Sagrada Escritura.  A luz destes  escritos iluminam os leitores sedentos por conhecimentos, saciados  passam a empreender a graça escondida atrás de cada escrita. O poder fiel na gramática dão: ênfase ao consolar devidas dores, melhor produção nas desenvolturas no trabalho, conforto nas adversidades, moderação na riqueza e nos prazeres  da vida.  Portanto, ao recorrermos à leitura das coisas úteis,  o espírito há de se afastar dos vícios desumanos, e volta a se refazer,  mesmo que existam muitas contrariedades se há terrores, uma palavra doce  trará conforto o labutar de uma alma fortalecendo seu vigor. 

As escritas vão se debruçando na arte frutífera saboreada pela  filosofia,  e vai raiando com luzes reluzentes na modernidade, entre todos amantes pensadores do saber.  Logo, João de Salisbury, afirma que a nomeação filosófica nasceu com Pitágoras (VII, 5).  Os atos de filosofar com doces frutos serve para  avaliar cada propriedade com devidas cautelas e reconhecer prudentemente o que é verdadeiro. E,  ao encontro do fruto verdade vamos formando raízes entre o  caminho. O  filósofo deve abandonar a vaidade e se unir a uma liberdade .  Ela traz leveza aos homens que são servidos por ela.  O Espírito Santo através  de seu sopro cobre - nos de  luz atrás das  letras sagradas. Somos   vivificados, e  o homem na presença da verdade é ensinado a falar e presenciar o que é justo nesta árvore.



2 . 2 .  LIVRO III – A HISTÓRIA DE PETRÔNIO


Demonstrando amor pela erudição, o teólogo João de Salisbury,  citou vários autores e poetas que se destacaram ao longo do tempo, entre eles Petrônio.


A novela de Satiricon, seu enredo descreve o espaço das cidades italianas, quando se chegam dois jovens, Ascilto e Gitão, eles serão aliados de um velho ridículo o poeta Eumulpo.  O diálogo narrado é valioso para os coloquialismos linguísticos do latim vulgar de época.  O personagem Trimalcião tem caráter libertino e estúpido, se enriquece de maneira vulgar.  As cenas da paródia mostra aberturas impudentes entre os escravos, libertinos, mulheres de  vida fútil, meretrizes. etc. 
O   estilo próprio do linguajar de época realista, mostra através da escrita  a arte do mestre escritor, Petrônio, com muita  elegância,  contorna  situações em  época imperial, sem negar o lugar para palavras chulas, barbaridades[7] de forma cômica exposta na novela.


A vida do homem pode ser considerada  uma comédia ilariante, mesmo esquecido em si mesmo dentro de muitas trajédias.  Devemos ser soldados combatentes de nossos vícios, lascividades, senão, seremos lançados nas futuras consequências de nossos atos, diz Salisbury.

Os graus de versões que colocamos  tem versões na filosofia para fundo claro, quando lemos às páginas da vida nas entrelinhas.  Na escolástica para filosofar os gêneros ficarão claros, somente quando abandonarmos  o reino da vaidade, se unindo a liberdade e abandonar os jugos da iniquidade e injustiças . João Salisbury, deixa seu legado para os príncipes tentando ensinar uma verdade onde o fruto filosófico é generoso para uma mente viver tentando se desarmar das mudanças das coisas que sucedem no existencialismo.  Na palavra do filósofo a vida é um grande teatro e no plano existencial tem seus graus de farsas nas extravagâncias. O leitor ao conhecer um pouco da noção histórica medieval no século XII chegará a um consenso de transformações ocorridas no tempo.

A vida do homem é uma tentação medida ao mal: “somos ator e espectador de uma comédia”.  O homem deve saber retornar a realidade e como o poeta diz, escolher desde criança o melhor modo de vida e hábitos nos farão tornarmos agradáveis.[8]

Apesar, da vida humana parecer mais  uma tragédia ela pode ser comédia mudando – se as formas de ampliar e representar  as coisas.  Na antiguidade estes modelos de abordagens estéticas do idealismo, mesmo que algo estivesse desfavorável nos sentidos humanos, o homem autor de sua própria vida encontra lugar ao êxito para sair do obscuro.

- PALAVRA CHAVE : Salisbury / Filosofia Política /   João Salisbury/  Policraticus  / A metáfora do corpo /  Tirano / O fruto das letras / Petrônio/ Filosofia Medieval/ Comédia Humana

3 .  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E FONTES:
[1] MIETHKE, Jürgen. Las ideas políticas de la Edad Media, op. cit., p. 64.
[2] LE GOFF, Jacques. São Luís. Biografia, op. cit., p. 350
[3] Ver LINDER, A. “The Knowledge of John of Salisbury in the Late Middle Ages”. In: Studimedievali 18, Torino, 1977, p. 315-355 e ULLMANN, Walter. John of Salisbury’s Policraticus in the later Middle Ages, F. H. Löwe, 1978, p. 519-545.
[4] REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario. História da Filosofia. São Paulo: Edições Paulinas, 1990, volume I, p. 527-529.
[5] (BROOKE, 1972: 59)

[6] TRADUÇÕES: Prólogo - Marcos Martinho dos Santos (In: MONGELLI, Lênia Márcia, VIEIRA, Yara Frateschi.  A Estética Medieval.  Cotia: Íbis, 2003, p. 60); Livro III, 8 - Luís Alberto de Boni, em Filosofia Medieval - Texto (Porto Alegre, Edipucrs, 2000, p. 137 - 143).

[7]VILLALBA  VARNEDA, Pere. Roma a través delshistoriadorsclàssics. Barcelona: UniversitatAutònoma, 1996, p. 424-425.

[8] PSEUDO-CÍCERO, Retórica a Herêncio IV, 17, 24 (Rhetorica ad Herennium, obra de Retórica escrita no séc.I). No século XII circulavam várias obras apócrifas de autores

http://www.ead.ufes.br/pluginfile.php/23052/mod_resource/content/1/Extrato%20de%20fontes%20das%20Filosofias%20Medievais.pdf

http://www.fineart-china.com/htmlimg/image-00495.html

http://www.harrold.org/rfhextra/menu.htm

-  UNIVERSITÁRIOS:
- MARIA  C.  MONTEIRO;
- ROBSON  SCARDUA SILVEIRA;

- WILLIAM  BEHREND  HACKBART


POLO UFES: AFONSO CLÁUDIO/ES
2º PERÍODO – FILOSOFIA POLÍTICA I E HISTÓRIA DA  FILOSOFIA MEDIEVAL

- PROFESSORES:  JORGE AUGUSTO DA SILVA SANTOS;
                                   RICARDO LUIZ SILVEIRA DA COSTA

- TUTORES: TICIANA PIVETTA COSTA;
                       WANJA VERÔNICA DIAS FERNANDES


Agradecidos somos  professor,
Jorge Augusto da Silva Santos!



Somos gratos a todo dinamismo entregue  a nós,
 professor Ricardo Luiz Siveira da Costa!



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