1 – INTRODUÇÃO AO
PENSAMENTO DE JOÃO DE SALISBURY
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| Ilustrado por: Maria C. Monteiro |
Seu nome se refere ao local de nascimento na Inglaterra. O autor, João Salisbury, foi o primeiro medieval a considerar a postura
entre o rei instruído e rei intelectual, porém tomando como valor o modelo real
[2]. Houve – se em sua política
filosófica a discussão do tema tiranicídio se é justo eliminar o tirano.
1 . 2 . ELEMENTOS BÁSICOS DE
SUA FILOSOFIA POLÍTICA
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| Chartres Medieval |
O rei Henrique II, ao cometer o
assassinato de Becket, melhor amigo de Salisbury, o inspirou a escrever sua obra
Polycraticus, mostrando o contra modelo de como deveria não ser a monarquia
tirânica. Embora, clérigo, Salisbury, era
um ideólogo especialista ético cristão, cuja preocupação era o poder e o
governo.
Em sua obra Metalogicon, um dos seus
elementos básicos que nos ensina a preservação do conhecimento. Seu modelo de
aprendizado é proveniente de obras pagãs[5]. Porém, Salisbury acrescentou algo
a mais de si próprio, em sua visão holística. Também, temos Policraticus
amostra literária de seu estilo de ordem instrutiva da política medieval. A obra História Pontificalis, uma crônica escrita ao papado durante os anos cruzados.
Nas considerações dos pensamentos
ocidentais modernos, segundo Thomas Hobbes (1588 – 1679), Sigmund Freud (1856 –
1939), Karl Marx (1818 – 1883) o homem é perturbado, mal, ganancioso e controverso. E, no cristianismo dentro das concepções da
Idade Média o homem é bom podendo torna
– se melhor dentro da ética Cristã.
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| EUROPA no século XII |
1 . 3 . A TRADIÇÃO CLÁSSICA
NO POLICRATICUS
Policraticus em muitas
passagens nas escritas de João de Salisbury faz alusões aos mitos gregos,
criando – se associações analógicas com a filosofia humanista cristã. O desabrochar do humanismo chartrense, entre as escritas elegantes da obra Policraticus , sua cultura nos fornece formações integras,
intelectuais e morais. Pois, entre os medievais para ser eloquente devemos nos moldar
dentro das virtudes morais.
Com a finalidade de tentar
prover uma sociedade unida por acordo comum, em respeito às Leis e aos direitos,
a obra intelectual apresenta o espelho de como
deveria ser o príncipe.
Na metáfora da dinâmica do corpo a comunidade política, o príncipe
ocupa o lugar da cabeça e se encontra somente sujeito a Deus. O governante na
sua função, em nome do papel divino, sua cabeça é regida pela alma. O senado
ocupa um lugar do coração onde se procedem aos começos de atitudes boas e
ruins. Os juízes e governadores nos seus
territórios representam para si a missão dos olhos, ouvidos e línguas. Os oficiais e soldados correspondem às
mãos. Ao assistirem as atitudes dos
príncipes de modo estável passam a ser semelhantes aos flancos. Os questores
e escrivães, não exatamente aos que controlam os cárceres, mas, os
encarregados aos tesouros privados dos príncipes podem ser comparados com o
ventre e os intestinos. Se estes são estiverem congestionados e retiver um
excessivo empenho, daquilo que acumularem, provocarão diversas doenças que
destruirão todo sistema. Na época
medieval, os agricultores e os camponeses representavam, segundo os
historiadores, 90 % da sociedade.
Com isso, queremos chamar
atenção, para a didática que João de Salisbury, dinamiza como a metáfora do corpo, com
relação a parte dos pés onde se
encontram os agricultores. Para ele os agricultores, é parte onde são especialmente
necessária as atenções da cabeça do governante, pois, sozinhos não terão forças
para se sustentarem e mover o corpo. Sem
o agricultor o corpo irá se arrastar com grande fadiga. A preocupação da cabeça
do poder, é como rei, tem que reinar em função do povo e, deve ser maior com os pés. Nesta concepção política medieval cristã o
monarca em suas governanças ter um cuidado maior com o povo para que se torne moralmente bom.
1 . 4 . O QUE FAZER COM O TIRANO?
Na obra Policraticus (O político), João
Salisbury abarca o tema da ética dentro da vivência política medieval. Na Idade média e no mundo atual existe muito pouco espaço para que uma população tolere a
poderes tirânicos. Nos países, impostos
comparativos e desumanos em suas cargas tributárias, guerras declaradas sem
consentimentos populacionais, tiranias que podem definhar o poder de
soberania e o mau caráter de um governante, não deve levar um
povo a sofrimentos por faltas dos seus dirigentes.
No ocidente as duas formas éticas (judaicas e
gregas), transportam o problema do tiranicídio.
Nas Escrituras Sagradas temos o exemplo de Moisés que ao matar um
egípcio começou a fluir a libertação do povo hebreu. O usurpador
rei de Moab, Eglon, dominava os israelitas (Juízes, 3, 14 – 13). Joram o tirano, rei de Israel, foi morto por
uma flechada de Jehu. Judite matou
Holofernes, um general do rei Nabucodonosor (rei dos Assírios), para salvar o
povo (Judite, 12). Para Cícero, ao discutir a
tirania, afirmou que o tirano desencadeia ódios e seu fim é a morte de maneira
violenta.
Com isso, João de
Salisbury relata que é permitido
"assassinar um tirano". Se o tirano abalar, as bases e afrouxar o corpo social será lícito elimina – lo. Os cidadãos não
podem ser privados, coletivamente dos seus direitos soberanos e muito menos
viver na resistência opressora deste tirano. Na Idade média e no mundo atual o espaço é pequeno para que uma população tolere a poderes
tirânicos. E, esta filosofia política, que tem caráter moral, no contexto de Salisbury, pois, há de ofender um
determinado povo ao se deparar com ações tirânicas.
Se este modelo de política monárquica tirânica corromper a estrutura, se tornará a
pior corrupção de todas, que é a tirania, e isto, deve ser extirpado.
2 - O PAPEL
DAS LETRAS NA FORMAÇÃO DO FILÓSOFO EM JOÃO DE SALISBURY
2 . 1 TEXTO 1 – O FRUTO DAS LETRAS
No
prólogo, a ÁRVORE do saber, ao produzir seus frutos do conhecimento se deixaram legados a nós na história medieval, onde através das
letras as memórias não ficaram esquecidas ou perdidas no meio social.
As
artes, segundo João Salisbury, os juramentos, cerimoniais religiosos, oratória
teriam se esvaído se não houvesse as letras. O Texto escrito aproximam os que
amam ler e escrever. Nossa natureza humana, costuma esquecer, enquanto, os
manuscritos preservam a memória. O filósofo dignifica o uso da letra como algo
divino.[6]
O
fato de que uma vida breve, por exemplo, os comportamentos ociosos, indicam
negligencias no viver. Porém, a ociosidade
proíbe o homem de auto se conhecer e,
mesmo o pouco que se sabe ao ser adquirido, se perde no tempo – a memória daquilo que se desfruta no uso das letras é mais saudável. Saborear o uso das letras tem suas recompensas.
Nada
mais agraciado pela fama, do que a obra escrita, e deixadas pelos escritores,
onde podemos conhecer a importância de suas epopeias.
O
caminho da dignidade, ensinado pelos profetas, nos deixaram legados divinos, graças às Sagrada Escritura. A
luz destes escritos iluminam os leitores sedentos por conhecimentos, saciados passam a
empreender a graça escondida atrás de cada escrita. O poder fiel na gramática dão: ênfase ao consolar devidas dores, melhor produção nas desenvolturas no
trabalho, conforto nas adversidades, moderação na riqueza e nos prazeres da vida.
Portanto, ao recorrermos à leitura das coisas úteis, o espírito há de se
afastar dos vícios desumanos, e volta a se refazer, mesmo que existam muitas
contrariedades se há terrores, uma palavra doce trará conforto o labutar de
uma alma fortalecendo seu vigor.
As
escritas vão se debruçando na arte frutífera saboreada pela filosofia, e vai raiando com luzes reluzentes na modernidade, entre todos amantes pensadores do saber.
Logo, João de Salisbury, afirma que a nomeação filosófica nasceu com
Pitágoras (VII, 5). Os atos de filosofar com doces frutos serve para avaliar cada propriedade com devidas cautelas e reconhecer prudentemente o
que é verdadeiro. E, ao encontro do fruto verdade vamos formando raízes entre o caminho. O filósofo deve abandonar a vaidade e se unir a uma liberdade . Ela traz leveza aos
homens que são servidos por ela. O
Espírito Santo através de seu sopro cobre - nos de luz atrás das letras sagradas. Somos vivificados, e o homem na presença da verdade é ensinado a falar e presenciar o que é justo nesta árvore.
2 . 2 . LIVRO III – A HISTÓRIA DE PETRÔNIO
Demonstrando amor pela erudição, o teólogo João
de Salisbury, citou vários autores e poetas que se destacaram ao longo do tempo,
entre eles Petrônio.
A novela de Satiricon, seu enredo descreve o espaço das cidades italianas, quando se chegam dois jovens, Ascilto e Gitão, eles serão aliados de um velho ridículo o poeta Eumulpo. O diálogo narrado é valioso para os coloquialismos linguísticos do latim vulgar de época. O personagem Trimalcião tem caráter libertino e estúpido, se enriquece de maneira vulgar. As cenas da paródia mostra aberturas impudentes entre os escravos, libertinos, mulheres de vida fútil, meretrizes. etc.
O estilo próprio do linguajar de época realista, mostra através da escrita a arte do mestre escritor, Petrônio, com muita elegância, contorna situações em época imperial, sem negar o lugar para palavras chulas, barbaridades[7] de forma cômica exposta na novela.
A vida do homem pode ser considerada uma comédia ilariante,
mesmo esquecido em si mesmo dentro de muitas trajédias. Devemos ser soldados combatentes de nossos vícios, lascividades,
senão, seremos lançados nas futuras consequências de nossos atos, diz
Salisbury.
Os
graus de versões que colocamos tem versões
na filosofia para fundo claro, quando lemos às páginas da vida nas entrelinhas. Na escolástica para filosofar os gêneros
ficarão claros, somente quando abandonarmos o reino da vaidade, se unindo a
liberdade e abandonar os jugos da iniquidade e injustiças . João Salisbury, deixa
seu legado para os príncipes tentando ensinar uma verdade onde o fruto
filosófico é generoso para uma mente viver tentando se desarmar das mudanças das coisas que sucedem no existencialismo. Na palavra do
filósofo a vida é um grande teatro e no plano existencial tem seus graus de
farsas nas extravagâncias. O leitor ao conhecer um pouco da noção histórica
medieval no século XII chegará a um consenso de transformações ocorridas no tempo.
A vida do homem é uma tentação medida ao mal: “somos ator e espectador de uma comédia”. O homem deve saber retornar a realidade e
como o poeta diz, escolher desde criança o melhor modo de vida e hábitos nos
farão tornarmos agradáveis.[8]
Apesar, da vida humana parecer mais uma tragédia ela pode ser comédia mudando – se
as formas de ampliar e representar as coisas. Na antiguidade estes modelos de abordagens estéticas do idealismo, mesmo que algo estivesse desfavorável nos sentidos humanos, o homem autor de sua própria vida encontra lugar ao êxito para sair do obscuro.
- PALAVRA CHAVE : Salisbury / Filosofia
Política / João Salisbury/ Policraticus / A metáfora do corpo / Tirano / O fruto das letras / Petrônio/ Filosofia Medieval/ Comédia Humana
3 . REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS E FONTES:
[1]
MIETHKE, Jürgen. Las ideas políticas de la Edad Media, op. cit., p. 64.
[2] LE GOFF, Jacques. São Luís.
Biografia, op. cit., p. 350
[3] Ver
LINDER, A. “The Knowledge of John of Salisbury in the Late Middle Ages”. In:
Studimedievali 18, Torino, 1977, p. 315-355 e ULLMANN, Walter. John of
Salisbury’s Policraticus in the later Middle Ages, F. H. Löwe, 1978, p.
519-545.
[4] REALE,
Giovanni e ANTISERI, Dario. História da Filosofia. São Paulo: Edições Paulinas,
1990, volume I, p. 527-529.
[5]
(BROOKE, 1972: 59)
[6] TRADUÇÕES: Prólogo - Marcos Martinho dos Santos (In: MONGELLI, Lênia Márcia, VIEIRA, Yara Frateschi. A Estética Medieval. Cotia: Íbis, 2003, p. 60); Livro III, 8 - Luís Alberto de Boni, em Filosofia Medieval - Texto (Porto Alegre, Edipucrs, 2000, p. 137 - 143).
[7]VILLALBA VARNEDA, Pere. Roma a través delshistoriadorsclàssics. Barcelona: UniversitatAutònoma, 1996, p. 424-425.
[6] TRADUÇÕES: Prólogo - Marcos Martinho dos Santos (In: MONGELLI, Lênia Márcia, VIEIRA, Yara Frateschi. A Estética Medieval. Cotia: Íbis, 2003, p. 60); Livro III, 8 - Luís Alberto de Boni, em Filosofia Medieval - Texto (Porto Alegre, Edipucrs, 2000, p. 137 - 143).
[7]VILLALBA VARNEDA, Pere. Roma a través delshistoriadorsclàssics. Barcelona: UniversitatAutònoma, 1996, p. 424-425.
[8] PSEUDO-CÍCERO, Retórica a Herêncio IV,
17, 24 (Rhetorica ad Herennium, obra de Retórica escrita no séc.I).
No século XII circulavam várias obras apócrifas de autores
http://www.ead.ufes.br/pluginfile.php/23052/mod_resource/content/1/Extrato%20de%20fontes%20das%20Filosofias%20Medievais.pdf
http://www.fineart-china.com/htmlimg/image-00495.html
http://www.harrold.org/rfhextra/menu.htm
http://www.ead.ufes.br/pluginfile.php/23052/mod_resource/content/1/Extrato%20de%20fontes%20das%20Filosofias%20Medievais.pdf
http://www.fineart-china.com/htmlimg/image-00495.html
http://www.harrold.org/rfhextra/menu.htm
- UNIVERSITÁRIOS:
- MARIA C. MONTEIRO;
- ROBSON SCARDUA SILVEIRA;
- WILLIAM BEHREND HACKBART
POLO UFES:
AFONSO CLÁUDIO/ES
2º PERÍODO – FILOSOFIA POLÍTICA I E HISTÓRIA DA FILOSOFIA MEDIEVAL
- PROFESSORES: JORGE
AUGUSTO DA SILVA SANTOS;
RICARDO LUIZ SILVEIRA DA COSTA
- TUTORES: TICIANA PIVETTA COSTA;












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